SEGREDO! – Suzuki volta ao Brasil

Grupo Souza Ramos, que produz os carros da Mitsubishi no Brasil, inicialmente importará modelos da Suzuki ao Brasil e depois os fabricará em Goiás

Para pegar a história, é preciso ter olhos treinados, de gente que gosta de carros e os conhece. Não fosse assim, o leitor Glauco Chang não teria flagrado oToyota Yaris no estacionamento de um shopping em São Paulo. Nem o leitor Jair Menezes de Oliveira teria visto (e fotografado) os primeiros Suzuki, carros que você também pode ver nesta reportagem.

“Eu flagrei esses veículos no estacionamento ao lado do meu serviço. Vi um Suzuki SX4 e um XL7. Na realidade, havia quatro carros da Suzuki ali, dois SX4 (um laranja com câmbio de quatro velocidades e outro preto, com câmbio manual), um Suzuki Grand Vitara (que não fotografei porque, quando peguei a máquina, ele já não estava mais lá) e o Suzuki XL7”, disse Oliveira.

2007 Suzuki XL7

“Estava indo trabalhar e, quando eu passei na frente do estacionamento, vi a traseira de um jipinho parecido com o EcoSport. Achei bem diferente, aí lembrei do Fiat Sedici.” Como Oliveira já nos confessou, ele é um apaixonado por carros de origem italiana, daí a vontade de fotografar o tal jipinho. “Entrei na empresa e a primeira coisa que eu fiz foi ir direto à janela que dá pra ver todo o estacionamento. Quando eu vi, não pensei duas vezes: vou até lá e vou tirar as fotos. Cheguei lá e falei com o cara do estacionamento pra ver se ele deixava eu tirar as fotos.”

Fotografar os carros não foi nada fácil. Primeiro, nosso leitor pediu autorização ao porteiro, mas recebeu um “não” como resposta. “Insisti umas quatro ou cinco vezes, mas o cara foi relutante. Fazer as fotos eu faria, de qualquer jeito. Primeiro pensei em entrar lá escondido, depois pensei em pular o muro quando estivesse fechado, mas desisti. Por fim, resolvi ir com meu carro ao estacionamento, estacionar do lado e tirar as fotos meio rápido para o cara do estacionamento não perceber. Até que as fotos saíram boas...” Concordamos!

Na edição de março deste ano, a revista Quatro Rodas crava que a Mitsubishi pretende assumir as operações no Brasil, um movimento que não seria de estranhar. Afinal, o mercado brasileiro vem crescendo a taxas altíssimas e é um dos principais mercados de carros do mundo. E já houve caso parecido, com a Audi, que tirou o controle da marca no Brasil das mãos do grupo Senna. Com isso, a MMC teria de encontrar outra empresa para representar. E a Suzuki vem bem a calhar.

A escolha da marca segue uma lógica evidente: o grupo Souza Ramos é grande apreciador de veículos 4x4 e sabe que, chova ou faça sol, sempre haverá interessados em comprar jipes e utilitários no Brasil. É um nicho de mercado seguro e com produtos de alto valor agregado, o que viabiliza uma operação pequena, já que os lucros por unidade vendida são altos.

A Suzuki, ainda que não atue mais no país desde março de 2003, mantém entre os jipeiros e admiradores do mundo off-road uma excelente reputação. Seus carros dão pouquíssimo trabalho e, quando dão, têm peças a um custo não proibitivo, o que os transforma nos importados sem representação oficial mais valorizados do mercado.

A palavra da empresa

Oficialmente, a MMC diz apenas que está ajudando a Suzuki a se implantar no Brasil. Estaria “auxiliando” um grupo interessado a negociar com a marca japonesa. Nossas fontes, entretanto, nos dão uma outra explicação. Segundo elas, a SVB realmente pertence ao grupo Souza Ramos e terá como diretor um alto executivo da MIT Racing, empresa que organiza as competições que envolvem veículos da Mitsubishi. Isso, de certo modo, corrobora a versão da revista Quatro Rodas de que a Mitsubishi assumirá as operações brasileiras. Com isso, a MIT Racing perderia sua razão de ser, o que permitiria a alocação de seus executivos em outros empreendimentos.


Ainda há dúvidas sobre se os primeiros modelos serão importados ou fabricados no país. “Fabricados” é modo de dizer, uma vez que eles, inicialmente, seriam montados em esquema de CKD, ou seja, eles viriam desmontados e seriam apenas montados no Brasil, como nosso leitor-repórter apurou. “Consegui algumas informações adicionais com o pessoal que se encontra fazendo testes nos carros. Voltei como quem não queria nada ao local bem na hora em que os caras estavam lá, estacionei do lado e comecei a olhar os Suzuki como se eu não entendesse direito. Fiz umas perguntas idiotas, como "quanto você pagou?" ou "é importado?" e um dos caras falou que era importado, mas que não era dele. Continuei perguntando e o cara falou que os carros vão ser lançados no segundo semestre, sem data definida por causa dos testes. Também falou que os carros não serão importados, mas fabricados em esquema de CKD. Ele citou o nome da empresa que vai montá-los, será a MMC”, disse Oliveira.

Nem seria preciso ir muito longe para chegar à mesma conclusão. Basta olhar no fundo das fotos que Oliveira fez, especialmente a terceira e a quinta, para notar diversas picapes L200 estacionadas. A ligação da empresa do grupo Souza Ramos com o retorno da Suzuki é evidente.

A novidade, mesmo, é a intenção de a Suzuki ter no Brasil modelos menores do que o SX4. “O cara soltou que há a possibilidade de a Suzuki trazer um modelo menor que o
SX4, mas, se for mesmo firme, ao que parece, isso só aconteceria de 2009 para 2010. Palavras do cara...”

Em sua coluna, Roberto Nasser diz que a intenção dos importadores, que ele não chega a citar, é de expandir a participação no mercado, inclusive exportando os veículos para outros países do Mercosul. Para isso, a empresa teria de ter um modelo de grandes volumes, como o Swift, mas num segundo momento. Carros de grande volume exigem grandes investimentos.

Certos, mesmo, são os modelos SX4, XL7 e Grand Vitara. Deixemos que Oliveira os apresente: “O SX4 terá câmbio manual e opcional automático, com trocas pelo volante. Na Europa ele tem três motores, pelo que sei. A gasolina ele tem o 1,6-litro de 108 cv e o 2.0 de 148 cv (na minha opinião os que serão importados); a diesel ele tem o 1,5 litro. Quanto ao acabamento, será igual ao do europeu. Na Europa o
SX4 tem versões 2WD também, ou seja, a Suzuki também poderá importar o 2WD pra cá.”

“O XL7 também tinha a sigla AWD e bom acabamento interno. Tinha transmissão automática de cinco marchas e opção de trocas manuais no volante. O motor que pode e deve vir, na minha opinião, é o 3,6-litro V6 de 250 cv e torque 33,6 kgm, só lembrando que esse motor é um projeto melhorado do antigo motor do
Grand Vitara. Detalhe: o XL7 começou como uma variante do Grand Vitara e tem uma terceira fileira de bancos.”



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