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Sportage básico agrada pelo belo visual e bom conjunto motor/câmbio

Tucson e Sportage nunca foram carros bonitos, pelo menos até o ano passado. Foi quando esses primos em primeiro grau, parceiros de plataforma do grupo Hyundai-Kia, mudaram, e foi para muito melhor.

Primeiro veio o ix35, que matou o Tucson na maioria dos mercados, mas não aqui no Brasil, onde a geração antiga do modelo continua a ser fabricada. Maior e com design da escola "escultura fluida", o ix35 não lembra em nada o quase-tosco Tucson -- do mesmo modo que o novo Sportage, que chega agora às nossas lojas, parece anos-luz à frente do tosco (e esse vai sem "quase", mesmo) Sportage da geração anterior.

É claro, Sportage e ix35 continuam primos. Motor e opções de transmissão são os mesmos, e a medida mais significativa, o entre-eixos, é exatamente igual: 2,64 metros. O carro da Kia é um tantinho maior: 4,45 metros contra 4,41 metros. A divergência surge ao olhar as linhas externas de ambos -- e é a partir desse ponto que começaremos a falar apenas do Sportage.

Enquanto o ix35 tem um aspecto tipicamente oriental, com aquele jeito de bichinho de desenho animado japonês, o Sportage ganhou estilo de carro europeu (especificamente, alemão). É só reparar nas lanternas traseiras, que são puramente Audi. A "culpa" é do designer Peter Schreyer, que trocou a marca alemã pela sulcoreana e já entrou para a história automotiva como alguém capaz de transformar uma linha de carros das mais apáticas do mundo numa linha de carros das mais belas do mundo -- vide Cerato Koup, o próprio Sportage e os sedãs Optima e Cadenza.

Como beleza é fundamental para o consumidor brasileiro que pode incluí-la como critério de compra, o Sportage tem potencial para disparar nas vendas. As fotos assinadas por Murilo Góes e comentadas por este repórter, que você pode conferir logo abaixo, falam por si:

Foto 1 de 27 - O Kia Sportage modelo 2011 chega renovado ao mercado brasileiro Murilo Góes/UOL

O Sportage chega às lojas com cinco pacotes de equipamentos. Não há nomes diferentes para as "versões". Veja os preços sugeridos pela montadora:

Sportage P.324 -- O "basicão" da gama, que testamos para esta reportagem. Tração 4x2, rodas aro 16", câmbio manual de cinco marchas e ar-condicionado manual por R$ 83.900
Sportage P.374
-- Acrescenta transmissão automática de seis marchas e freio de estacionamento com pedal; custa R$ 87.900
Sportage P.395 -- Também com câmbio automático, tem rodas aro 18" e mimos como ar digital e bancos em couro, mas também itens dinâmicos importantes, como controle de estabilidade; por R$ 97.900
Sportage P.396
-- O mesmo conteúdo do pacote anterior, mas com teto solar panorâmico e câmera de ré, por R$ 105.900
Sportage P.495
-- Igual ao P.395, mas com tração integral 4x4; por R$ 103.400

A configuração de entrada do Sportage é simples, mas não chega a ser espartana. Há uma lista razoável de equipamentos de série, que inclui sensor de luminosidade para os faróis (que são de dupla parábola), computador de bordo, som para CD e MP3 com comandos no volante, trava central e vidros elétricos nas quatro portas, direção hidráulica, retrovisores com comando elétrico, sensor de ré, volante com regulagem de altura (mas não de profundidade), airbags frontais, freios com ABS (antitravamento) e EBD (distribuição de força) e encostos de cabeça dianteiros ativos. As opções de cores, além do belo branco que se vê nas fotos, são preto, prata, dourado e azul. Abundam porta-copos, porta-garrafas e nichos para colocar objetos.

Essa certa sensação de "razoabilidade" se estende ao acabamento e ao conforto oferecidos pela cabine. Predominam plásticos e tecidos de qualidade passável, mas inferiores ao que a beleza externa do Sportage faz esperar. No entanto, a iluminação em branco e vermelho dos instrumentos, rádio e teclas com sinais gráficos, é agradável -- e o sistema de som original, com quatro alto-falantes e dois tweeters, é de qualidade.

O motorista encontra uma ergonomia em geral favorável, mas que poderia ser melhor se o volante se ajustasse também verticalmente, e se o apoio de braço não funcionasse, vez ou outra, como obstáculo. Fora isso, o grafismo dos instrumentos é confuso e o velocímetro traz aquela irritante notação alternativa em milhas por hora.

Bem, então é isso? Vamos detonar o Sportage?

Muito pelo contrário. Existem duas fórmulas infalíveis para gostar desse carro: a primeira é apreciar suas linhas externas; a segunda é dirigi-lo.

Murilo Góes/UOL

Parece que não vai dar, mas dá: motor 2.0 empurra bem o Sportage

Verdade que, de início, desconfiamos do motor, de "apenas" 2 litros, quatro cilindros e 16 válvulas, movido a gasolina. No entanto, seus números, de 166 cavalos de potência (a 6.200 rpm) e 20,1 kgfm (a 4.600 rpm) de torque, superam os de (muitos) propulsores de mesma capacidade e perdem de pouco de unidades 2.4, a capacidade mais comum acima dos 2.000 cm³. Com injeção eletrônica sequencial de combustível e duplo comando variável de válvulas (CVVT), a unidade de força da gama do Sportage se encaixa bem no que Fernando Calmon, colunista de UOL Carros, descreveu como "rightsizing" neste artigo.

UM CARRO ESTRELADO

  • O novo Kia Sportage recebeu cinco estrelas, a nota máxima, nos ensaios de colisão do Euro NCAP (no vídeo, os impactos frontal e lateral), de longe a láurea mais importante obtida pelo modelo. Mas houve outras, desde o prêmio iF de design de produto (categoria transportes) até o International Truck of the Year, entregue no último Salão de Detroit -- passando pela escolha como utilitário do ano, no Brasil, pelo júri da revista Auto Esporte.

A boa performance se dá tanto em trânsito urbano como em estradas, ambiente em que o Sportage chega facilmente a velocidades na casa dos 160 km/h, pedindo atenção do motorista para se manter nos limites da lei (nesta versão não há cruise control). Como a transmissão é manual, parte da qualidade das retomadas fica por conta da habilidade do motorista, que nisso é ajudado por um câmbio enxuto e preciso, bem ao gosto de quem quer comunicação imediata com o veículo. O motor sempre responde bem. A Kia não divulga a velocidade máxima do modelo.

BAIXO É BOM
A suspensão do Sportage é independente nas quatro rodas (McPherson à frente, braços múltiplos atrás, com amortecedores a gás), o que garante uma rodagem suave em pista de boa qualidade e não tão áspera em terrenos mais irregulares. De resto, os pneus altos (215/70 em rodas de aro 16) são uma prova de que o Sportage foi feito para dar conforto, e não emoção, para quem vai a bordo. E o comportamento dele se beneficia da redução na altura (foi a 1,64 metro, mais baixo do que a maioria dos motoristas, aliás) e do aumento na largura (foi a 1,86 metro) da carroceria. O centro de gravidade desceu, e o Sportage ficou mais "no chão", bom para fazer curvas sem os eventuais sustos dados por SUVs mais "altinhos" -- é por isso, também, que o modelo parece muito mais comprido do que realmente é.

Fica o alerta de que esse Sportage sem tração integral não mostrou qualquer vocação para o fora-de-estrada, em parte devido aos pneus inadequados para terra e lama, mas principalmente porque ele é "apenas" um carro de passeio grande, e não um jipe.

Ao final de nossa convivência com o Sportage, havíamos rodado 576 km, cerca de 50% em cidade e 50% em rodovias. O ciclo misto de consumo foi de 9,7 km/l, marca razoável e que tende a melhorar nas mãos de motoristas preocupados com essa questão. É mais um resultado do tal rightsizing.

Como o ix35 manual começa em quase R$ 89 mil, essa versão básica do Sportage virou uma relativa pechincha -- na verdade, até o Kia automático é mais barato do que o Hyundai mecânico. Outros rivais são Honda CR-V, Toyota RAV4 com tração 4x2 e Chevrolet Captiva Ecotec. Não vamos afirmar que o Sportage é o melhor -- mas é o mais bonito de todos.

Kia Sorento e Mohave sofrem recall

Quem tem um Novo Kia Sorento ou um Mohave 2010 terá que voltar à concessionária. Os dois carros passarão por recall no Brasil.



Há risco de incêndio nos modelos. O chicote do sistema de iluminação das portas pode ter má fixação, o que poderia gerar curto-circuito.



São 1 440 unidades do Sorento ano 2011 e 367 do Mohave ano 2010. A partir de 13 de outubro as concessionárias estarão preparadas.

Chassis envolvidos
Sorento >> 024965 a 109101
Mohave >> 045253 a 060088

Maiores informações
0800 771 1011

KIA SOUL, IMPRESSOES AO DIRIGIR

Jornalista vai ao Salão do Automóvel ver os lançamentos, as entrevistas e, principalmente, para esbarrar com as pessoas que estão desenvolvendo os futuros carros. Depois de alguns salões, você inventa macetes para fazer o trabalho render. O meu foi sentar num banco e esperar os personagens chegarem, mais ou menos como faz o Carlos Alberto de Nóbrega no programa A Praça é Nossa. Tentei outros lugares, mas a bússola de quem entende do assunto apontava para o Kia Soul.

“O packaging [arquitetura interna] dele é muito interessante”, disse um engenheiro da Renault que eu já havia encontrado dentro do Hyundai i30. “O Peter Schreyer é muito talentoso, está fazendo um ótimo trabalho”, afirmou um designer da Volkswagen, a respeito do chefe de estilo da Kia. “Você viu que aquele carro tunado não era um modelo montado para o salão? Até os adesivos são acessório de fábrica”, disse um gerente da Toyota. Falavam isso com a admiração de quem gosta de carro – e com uma ponta de preocupação. O Soul chegará às lojas em março, como importado, ao preço de 65 000 reais. Em 2011, ele irá inaugurar a linha de produção da Kia na cidade de Salto (SP).

Kia Soul

Não ouvi de ninguém que o Soul fosse bonito. Nem de Zeca Chaves, redator-chefe da revista. Isso me intrigou bastante, porque, é certo, o carro tem presença. Discutimos algum tempo até chegar ao adjetivo exato: o Soul é maneiro. Não sei quantas pessoas querem ter um carro maneiro, mas as que quiserem ganharam um modelo que se dedicou a isso de corpo e alma.

O corpo é esse que vocês estão vendo. A receita é mais ou menos a do Kangoo, mas você não tem a menor dúvida de que são coisas diferentes. O Soul segue o estilo “caixote”, que ficou famoso com o Scion xB, da Toyota, com o Mini e o Land Rover Discovery. Na hora de desenhar a capota ou as janelas, a equipe de estilo da Kia não tinha por perto nenhum compasso. Só régua. Além de dar o tal vi sual maneiro, o formato caixote traz facilidade de estacionar, porque você enxerga onde a carroceria termina. Não que precise: o modelo preto tem sensores de estacionamento e o vermelho traz ainda uma câmera montada acima da placa traseira. Engate a ré, e o retrovisor interno assumirá novas imagens, como se fosse um espelho mágico. E o Soul tem posição de dirigir alta, típica das minivans.


Mas abra o capô e repare como o motor fica lá embaixo: a casca é de furgãozinho, mas a base e o centro de gravidade são de carro de passeio – uma variação da plataforma do Kia Rio. Como eu dizia, o Soul se dedicou a ser maneiro de corpo (isso vocês já esperavam) e também de alma. Os engenheiros da Kia deram atenção a detalhes que costumam passar despercebidos, num carro despretensioso desses. Os freios têm ótima sensibilidade e a alavanca de câmbio não é genérica: pede alguma força no começo do engate e em seguida chupa a marcha. Não é nada, não é nada, ela traz um gostinho de Porsche. O câmbio automático que equipava o carro vermelho não brilha, tem quatro marchas e pouca interatividade, mas atende aos clientes que querem apenas ir do trabalho para casa, sem envolvimento.

Um carro desses merecia um sistema de direção melhor. Essa caixa com assistência elétrica é leve demais em qualquer velocidade. Você faz a curva virando e desvirando o volante, em busca de alguma resposta, mas ela não vem. Alô, rapazes da Kia: leveza é conforto até 40 km/h. Acima disso, é cansativo. Em 2010, teremos uma versão com motor 2.0 16V, mas esse 1.6 16V com comando variável se vira bem, com respostas consistentes desde a faixa dos 1 500 giros.

O Soul não chega a ser um Honda Fit, mas faz curva muito melhor que o EcoSport. E, se o dono quiser melhorar isso, basta buscar uma oficina de tuning. No caso, uma concessionária Kia. “Teremos kit de suspensão mais firme, chip de maior potência para motor, os adesivos na lataria... O cardápio de opcionais desse carro é imenso, basta pedir”, diz Dino Arrigoni, diretor de assistência técnica. Esses dois carros são anteriores à pré-série da fábrica, mas servem de referência: o carro preto é mais ou menos o que será nossa versão básica, incluindo aí as rodas aro 18. O vermelho traz muito dos equipamentos que serão oferecidos – e a Kia promete trazer até esse painel escarlate.

Eu, daqui, gostaria de pedir uns equipamentos bem mundanos: computador de bordo, bandejas para os passageiros de trás, travamento automático das portas, cinto de três pontos e apoio de cabeça para o quinto passageiro... Conveniências apreciadas pelo público das minivans, mas ausentes nesses dois carros. O Soul não precisa fugir das famílias, para reforçar seu espírito jovem. Mesmo se tivesse três cadeirinhas de bebê instaladas no banco de trás e uma fralda esticada na janela, protegendo da claridade, esse Kia pareceria o que é. Um carro maneiro.

Veredicto

É muito mais carro que EcoSport ou Idea Adventure e, pelos itens de série, terá preço parecido. Só não é flex.
Fonte: Revista Quatro Rodas

Kia Cerato 2010, Ficha Tecnica

collapse sectionMotor

Posiçãodianteiro, transversal
Cilindros4 em linha
Cilindrada1591 cm3
Diâmetro x cursox mm
Comandovariável, DOHC 16V
Taxa de compressão10,5:1
GASOLINA
Potência126 cv a 6300 rpm
Torque15,9 kgfm a 4200 rpm

collapse sectionTransmissão

Tipomanual de 5 marchas
1ª3,615
2ª1,962
3ª1,37
4ª1,036
5ª0,839
Ré3,545
Diferencial4,267

collapse sectionCarroceria

DIREÇÃO
Diâmetro de giro5,16 m
Número de voltas
EIXO TRASEIRO
Suspensãosemi-independente, eixo de torção
Freiosdisco sólido
Diâmetro e Espessurax mm
RodasAro 16 polegadas
Pneusn/d 205/55 R16

collapse sectionCapacidades

Peso em ordem de marcha1223 kg
Carga útil kg
Tanque de combustível52 litros
Porta-malas415 litros

collapse sectionDimensões


EXTERNAS
Comprimento4,53 m
Largura1,775 m
Altura1,46 m
Entre eixos2,65 m
Bitola dianteira1,557 m
Bitola traseira1,564 m
Altura do solo0,15 m